O CICLO PASCAL

Diretório Litúrgico 2018 – CNBB

 


TEMPO DA QUARESMA


0 tempo da Quaresma vai da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive. E o tempo para preparar a celebração da Páscoa. “Tanto na liturgia quanto na catequese litúrgica esclareça-se melhor a dupla índole do tempo quaresmal que, principalmente pela lembrança ou prepa­ração do Batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais fre­quência a Palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do mistério pascal” (SC, n. 109).

Anotações

  1. Durante este tempo, é proibido ornar o altar com flores; o toque de instrumentos musicais só é permitido para sustentar o canto. Excetuam-se o Domingo Laetare (4o Domingo da Quaresma), bem como as solenidades e festas.
  2. A cor do tempo é o Roxo. No Domingo Laetare, pode-se usar cor-de- rosa (IGMR, n. 308f).
  3. Em todas as Missas e Oficios (onde se encontrar), omite-se o Aleluia.
  4. Nas solenidades e festas somente, como ainda em celebrações especiais, diz-se o Te Deum e o Glória.
  5. As memórias obrigatórias que ocorrem neste tempo podem ser celebradas como memórias facultativas (Anotações Gerais 2.4). Não são permitidas missas votivas.
  6. Na celebração do Matrimônio, seja dentro ou fora da Missa, deve- se sempre dar a bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos que se abstenham de demasiada pompa.

CAMPANHA DA FRATERNIDADE

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil promove durante a Quaresma a Campanha da Fraternidade, cuja finalidade principal é vivenciar e assumir a dimensão comunitária e social da Quaresma. A Campanha da Fraternidade ilumina de modo particular os gestos fundamentais desse tempo litúrgico: a oração, o jejum e a esmola.

Neste ano, o tema da Campanha é “Fraternidade e superação da violência” e o lema: “Em Cristo somos todos irmãos” (Mt 23,8).

Notas para a Quarta-feira de Cinzas:

  1. Dia de jejum e abstinência.
  2. Na Missa, depois do Evangelho e da homilia, se benzem e impõem as cinzas feitas de ramos de oliveira ou outras árvores, bentos no Domingo de Ramos do ano anterior. O ato penitencial se omite.
  3. A bênção e imposição das cinzas também podem ser feitas sem Missa; neste caso, oportunamente, precede uma Liturgia da Palavra, aproveitando o canto de Entrada, a Coleta e as leituras da Missa com seus cantos; depois da homilia, são bentas as cinzas e impostas, e o rito termina com a oração dos fiéis.

 

SEMANA SANTA

A Semana Santa, que inclui o Tríduo Pascal, visa recordar a Paixão e a Ressurreição de Cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém (NALC, n. 31).

 Anotações gerais

Os ritos especiais da Semana Santa, isto é, a bênção e procissão dos ramos, a trasladação do Santíssimo Sacramento depois da Missa da Ceia do Senhor, a ação litúrgica da Sexta-feira da Paixão do Senhor e a Vigília Pas­cal, podem celebrar-se em todas as igrejas e oratórios. Mas convém que, nas igrejas que não são paroquiais e nos oratórios, sejam somente celebrados se puderem ser realizados dignamente, isto é, com número conveniente de mi­nistros, com a possibilidade de se executar ao menos algumas partes em can­to, e uma suficiente frequência de fiéis. Senão, conviría que as celebrações fossem realizadas somente na igreja paroquial e em outras igrejas maiores.

 

DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR

Anotações

  1. No Ofício divino e na bênção e procissão de ramos, em todas as Missas deste Domingo, usam-se paramentos de cor vermelha. Na procissão, o sacerdote usa ou casula ou pluvial.
  2. Em todas as Missas deste Domingo se faz a memória da entrada do Senhor em Jerusalém seja pela procissão ou entrada solene na Missa principal, seja pela entrada simples antes das outras Missas. A procissão seja uma só e feita sempre antes da missa com maior concurso do povo, também nas horas vespertinas, tanto do sábado como do domingo (Paschalis Sollemnitatis 29). Quando não se pode celebrar a missa, convém realizar uma celebração da Palavra de Deus para a entrada messiânica e a paixão do Senhor, nas horas vespertinas do sábado ou na hora mais oportuna do domingo (PS 31).
    A entrada solene – mas não a procissão – pode ser repetida antes das Missas que sejam celebradas com grande concurso de povo.
  1. Depois da procissão ou entrada solene, omite-se o sinal da cruz e o ato penitencial ou a aspersão de água benta no início da Missa, e diz-se logo a coleta. Depois, a Missa continua como de costume.
  2. A bênção e a procissão de ramos são inseparáveis; onde não houver procissão e Missa, não pode haver bênção de ramos.
  3. Durante a leitura da Paixão, não se usa nem incenso nem velas. Os diáconos que vão ler pedem e recebem a bênção. Omitem-se a saudação ao povo e o sinal da cruz sobre o livro. Depois de anunciada a morte do Senhor, todos se ajoelham, e faz-se uma breve pausa. No fim, diz-se: Palavra da salvação, mas não se beija o livro (CB, n. 273). Pode também ser lida por leitores leigos, na falta de diáconos, reservando-se a parte de Cristo ao sacerdote.

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor: COLETA como gesto concreto da Campanha da Fraternidade.


TRÍDUO PASCAL


O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a Missa da Ceia do Senhor, possui o seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição (NALC, n. 19).  É o ápice do ano litúrgico, porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, “quando Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida” (NALC,  n. 18; Guia Litúrgico Pastoral, p. 11).

 

Anotações para Quinta-Feira Santa

O órgão ou outros instrumentos musicais toca-se hoje na Missa ves­pertina até o fim do canto do Glória. Depois não se toca, até o Glória da Missa da Vigília noturna da Ressurreição (a menos que seja para sustentar o canto).

 

Sagrada Comunhão no Tríduo Sacro

  1. Aos fiéis em geral pode-se dar a santa Comunhão: a) na Quinta-feira Santa somente dentro da Missa; não fora da Missa, nem de manhã nem de tarde, b) Na Sexta-feira Santa somente dentro da solene Ação Litúrgica vespertina, c) No Sábado Santo somente dentro da Missa da Vigília Pascal.
  2. Aos doentes que não podem participar da celebração litúrgica: a) Na Quinta-feira Santa e na Sexta-feira Santa, pode-se administrar de manhã ou de tarde, b) No Sábado Santo não pode ser administrada.
  3. Aos gravemente doentes pode-se dar o Santo Viático a qualquer hora do dia ou da noite.

Missa no Tríduo Sacro

  1. Na Quinta-feira Santa, é celebrada só uma Missa principal (ou conventual) vespertina nas igrejas ou Oratórios em que se fazem as solenidades ou cerimônias litúrgicas da Semana Santa, exceto nas catedrais onde uma Missa do Crisma é celebrada pela manhã. O Ordinário pode permitir, para o bem dos fiéis, uma Missa vespertina nas igrejas ou oratórios em que não se fazem as celebrações da Semana Santa.
  2. Quando a exigência pastoral o pedir, o Ordinário do lugar pode permitir que além da Missa principal da Ceia do Senhor, seja celebrada outra, à tarde, nas igrejas e nos oratórios. Em caso de verdadeira necessidade, também pode permitir que a celebração desta Missa seja feita de manhã, mas só para os fiéis que estejam impossibilitados de participar na Missa vespertina, evitando, porém, que tais celebrações sejam autorizadas em favor de particulares, ou prejudiquem a Missa vespertina, que é a principal.
  3. Os sacerdotes que concelebrarem a Missa do Crisma podem (con) celebrar novamente a Missa vespertina.
  4. Exéquias – Os enterros devem ser feitos sem Missa e sem solenidades, por exemplo, o toque de sinos.
  5. O tabernáculo esteja totalmente vazio. Para a comunhão do clero e do povo, hoje e amanhã, consagre-se na própria missa a quantidade de pão(hostias) suficiente.
  6. Reserve-se uma capela, nesta noite, para a conservação da Eucaristia e seja ornada com sobriedade para facilitar a oração e a meditação (PS 49).
  7. Convidem-se os fiéis a permanecer, depois da missa da Ceia, por determinado espaço de tempo na noite, para a Vigília eucarística. Durante este tempo pode-se ler do Evangelho de João os capítulos 13-17. Após a meia-noite, a adoração seja feita sem solenidade, já que começou o dia da Paixão do Senhor (PS, n. 56).

Missa Vespertina da Ceia do Senhor

Cor Branca. Glória, Homilia, Lava-pés, (sem Credo), Prefácio da Eucaristia.

Omitem-se os ritos finais: em seu lugar, faz-se a Trasladação do Santíssimo Sacramento.

Leituras:

Leituras: Ex 12,1-8.11-14

SI 115(116 B),12-13.15-16bc. 17-18 (R/ cf. ICor 10,16) lCor 11,23-26 Jo 13,1-15

Vésperas próprias: obrigatórias para os que não participarem da Missa da Ceia.

Completas: são ditas depois da Missa vespertina.

 

Anotações para a Sexta-Feira Santa

  1. Recomenda-se a celebração comunitária do Ofício das Leituras e das Laudes matutinas neste dia da Paixão do Senhor e também no Sábado Santo {PS 40).
  2. Hora: a solene Ação Litúrgica celebra-se pelas 15 horas; porém, para a conveniência dos fiéis, pode ser celebrada desde o meio-dia; e também mais tarde, mas não depois das 21 horas.
  3. O altar, no início, está completamente desnudado. Uma só toalha se estende sobre o mesmo para a Comunhão.
  4. Adoração da Cruz – pode-se escolher uma das duas formas propostas pelo Missal Romano.

Obs.: a cruz somente é coberta com véu vermelho quando se usa a primeira forma de apresentação na qual o sacerdote, de pé diante do altar, recebe a cruz.

  1. Para a leitura da Paixão, observe-se o mesmo que foi dito para o Domingo de Ramos (n. 5).
  2. Hoje, por determinação da Santa Sé: Coleta para os Lugares Santos (com 10% para a Catholica Unid).
  3. A Igreja concede uma Indulgência plenária aos que hoje participam piedosamente da veneração da Santa Cruz e beijam devotamente o Santo Lenho (Enchiridion Indulgentiarum, 17).

 

 

VIGÍLIA PASCAL

 

A Vigília Pascal é o cume do ano litúrgico. Sua celebração se rea­liza de noite; mas de maneira a não começar antes do início da noite e a terminar antes da aurora do Domingo.

Branco. Vigília solene, cuja ação forma uma unidade iniciando com a Celebração da Luz, Liturgia da Palavra, Liturgia Batismal, e terminando com a Liturgia eucarística.

No Canon romano: “Em comunhão” e “Recebei” prs. Despedida com dois Aleluias.

Para a Vigília pascal, propõem-se nove leituras: sete do Antigo Testamento e duas do Novo. Se as circunstâncias o exigirem por razões particulares, o número das leituras pode ser reduzido. Mas devem-se ler ao menos três do AT ou, em casos mais urgentes, duas antes da Epístola e do Evangelho. Nunca se omita a leitura do Êxodo sobre a passagem do Mar Vermelho (3a leitura).

 

Leituras:

  1. Gn 1,1-2,2 ou mais breve: l,1.26-31a

SI 103(104),l-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R/ cf. 30) ou SI 32(33),4-5.6-7.12-13.20.22 (R/. 5b)

  1. Gn 22,1-18 ou mais breve: 22,l-2.9a.l0-13.15-18

SI 15(16),5 e 8.9-10.11 (R/1)

3. Ex 14,15-15,1

Cânt.: Ex 15,1-2.3-4.5-6.17-18 (R/. Ia)

  1. Is 54,5-14

SI 29(30),2.4.5-6.ll.12a.13b (R/ 2a)

  1. Is 55,1-11

Cânt.: Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R/ 3)

  1. Br 3,9-15.32-4,4

SI 18(19),8.9.10.11 (R/Jo 6,68c)

  1. Ez36,16-17a.l8-28

SI 41(42),3.5bcd; SI 42(43),3.4 (R/ SI 41[42],2)

ou quando há batismos: Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R/ 3) ou SI 50(51),12-13.14- 15.18-19 (R/ 12a)

Epístola: Rm 6,3-11 SI 117(118),l-2.16ab-17.22-23 (R/ Aleluia, aleluia, aleluia)

Evangelho: Mc 16,1-7

 

Anotações para a Vigília Pascal

  1. O Ofício de Leituras do Domingo omite-se, mas é rezado por quem não tomar parte na Vigília Pascal, bem como as Completas.
  2. A celebração da Missa da Vigília é proibida onde não se faz a liturgia completa.
  1. A cor dos paramentos é branca para toda a Vigília.
    Os sacerdotes que celebram a Missa da Vigília podem, no dia da Ressurreição, (con)celebrar novamente e, se têm faculdade, também binar e trinar.
  2. Os fiéis que comungam na Missa da Vigília podem comungar também em uma Missa durante o dia da Ressurreição.
  3. Na aspersão dos fiéis antes da Missa paroquial (ou conventual), convém usar a água benta na vigília noturna.
  4. O Círio pascal permanece no candelabro próprio no centro do presbitério ou junto do ambão e deve-se acender nas Missas dos Domingos e dias de semana, bem como nos ofícios de Laudes e Vésperas, quando cantados.
  5. Nas Completas, a partir de amanhã, começa a antífona mariana Regina coeli.

 


 

PÁSCOA DO SENHOR – Oitava

DOMNOG DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

Nas Laudes e Vésperas, durante toda a Oitava: “Ide em paz” com dois Aleluias.

 

TEMPO PASCAL

Os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, “como um grande Domingo” (Sto. Atanásio; cf. NALC, no 22).

Os Domingos deste tempo sejam tidos como Domingos da Páscoa e, depois do Domingo da Ressurreição, sejam chamados 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, e 7o Domingos da Páscoa. “Os oito primeiros dias do tempo pascal formam a oitava da Páscoa e são celebrados como solenidades do Senhor” (NALC 24).

E muito oportuno que as crianças da catequese recebam sua primeira comunhão nestes domingos pascais (OS, n. 103).

O Domingo de Pentecostes encerra este tempo sagrado de cinquenta dias (NALC, n. 23). No Brasil, celebra-se no 7o Domingo da Páscoa a sole­nidade da Ascensão do Senhor.

A semana entre a Ascensão e Pentecostes, caracteriza-se pela prepa­ração da vinda do Espírito Santo. Em sintonia com as outras Igrejas cristãs, no Brasil, realizamos nesta semana a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”.